Murilo Benício é um nome consolidado na dramaturgia brasileira. Aos 54 anos, completados neste domingo (13), o ator carrega no currículo papéis emblemáticos como o de Lucas e Léo em "O Clone", o jogador Tufão de "Avenida Brasil" e o vilão Tenório do remake de "Pantanal". Pouca gente se lembra, no entanto, de uma entrevista reveladora que ele concedeu à revista "Trip", em 2008, na qual falou abertamente sobre sua relação com drogas, juventude, moralismo e liberdade.
Na conversa, Murilo surpreendeu ao admitir ter experimentado maconha, e fez críticas diretas ao preconceito social em torno da substância. "Fumei maconha. Foi o máximo que fiz. Sempre tive muito medo de droga", disse, na época.
Durante a entrevista, o ator relembrou uma conversa com uma parente que estava angustiada por ter descoberto que o filho fumava maconha. Sem rodeios, Murilo respondeu com firmeza e ressignificou a preocupação da tia: “Eu falei pra ela: ‘Olha, fumar não é nada. Você tem que se preocupar é se ele sabe o que vai ser, o que quer da vida’. O pior não é a droga: é a falta de perspectiva". Eita!
A declaração foi feita em um tempo em que esse tipo de posicionamento ainda era considerado tabu entre celebridades brasileiras. Enquanto muitos evitavam o tema, Murilo não hesitou em tocar na ferida social e moral que envolve a criminalização da maconha no país. Ele ainda criticou a formação moral herdada da sociedade. “Tive uma educação que dizia que quem fumava maconha era marginal, barra-pesada. ‘Tinha que ter pena de morte por fumar maconha!’”, ironizou.
A autenticidade sempre acompanhou Murilo, desde os tempos em que atravessava a Baía de Guanabara, ainda menino, para estudar teatro no Tablado, no Rio de Janeiro. Caçula de quatro irmãos, foi aos 10 anos, após assistir a um filme de Charles Chaplin, que se encantou pela arte da atuação.
Já na juventude, dividia o tempo entre o surfe nas praias de Niterói e a rotina de estudos. Com humor, ele recordou, na mesma entrevista, ter sido “o pior aluno” da escola, mas o mais enturmado, e até revelou que costumava colar em provas com a ajuda de uma colega. A experiência com drogas, segundo ele, ficou no passado. Murilo afirmou que nunca experimentou nada além da maconha e que abandonou o cigarro anos depois. O consumo excessivo de bebida também ficou para trás.
Murilo Benício sempre soube como conduzir sua carreira com liberdade. Além de atuar, ele se consolidou como diretor de cinema, bancando do próprio bolso projetos como "O Beijo no Asfalto" (2017), gravado em apenas 11 dias, em preto e branco, e o longa "Pérola" (2018), inspirado em lembranças da mãe, Berenice, que faleceu em 2012.
Na televisão, segue ativo: em 2025, foi escalado para a novela "Três Graças", nova trama de Aguinaldo Silva, com quem não trabalhava desde Fera Ferida, nos anos 1990.
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